Entrevista: Luis Sadeck – Geotecnologias

Sadeck Geotecnologias EntrevistaLeia agora a décima sétima entrevista (a primeira em 2014) da série onde estamos conversando com profissionais da área de Geoprocessamento que atuam em diferentes regiões do Brasil e do mundo! Eles estão relatando um pouco sobre sua própria história no mercado, comentando sua visão sobre o cenário das Geotecnologias onde vivem, e algo mais. Nosso entrevistado da vez é o paraense Luis Sadeck, autor do blog Sadeck – Geotecnologias.

Luis Sadeck - GeotecnologiasLuis Waldyr Rodrigues Sadeck, é paraense e mora em Belém/PA. Atualmente trabalha no Centro Regional da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CRA/INPE). É formado em Geodésia e Cartografia pelo CEFET-PA (IFPA), graduado em Geografia (Licenciatura e Bacharelado) pela UFPA, especialista em Geotecnologias pelo Instituto de Ensino Superior da Amazônia e Mestrando em Ciências Ambientais na UFPA. Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Física, atuando principalmente nos seguintes temas: Interpretação da cobertura vegetal, Geoprocessamento, Sensoriamento Remoto, Cartografia, Espaço e Paisagem, Cartografia Temática, Dinâmica Ambiental, Planejamento Ambiental, Ecologia de Paisagem, Geomorfologia Costeira e Banco de Dados.

1. Há quanto tempo você trabalha com Geotecnologias e como foi seu primeiro contato com esta área tão empolgante?

Trabalho na área efetivamente desde 2000, mas foi em 1998 meu primeiro contato com as Geotecnologias em um congresso de geografia no baixo Tocantins. Tiveram algumas apresentações e uma delas era sobre as questões cartográficas. Interessei-me, acredito, porque em casa eu sempre estava em contato com plantas e cartas topográfica que meu Pai usava em seus projetos de engenharia.

2. Você fez algum curso na área de Geoprocessamento? (Pode também citar onde, e se possível algumas características do curso).

Entrevista: Luis Sadeck – GeotecnologiasFiz o curso técnico em Geodésia e Cartografia no antigo CEFET-PA hoje IFPA, depois disso entrei no curso de graduação em Geografia na UFPA, onde tive muito contato com a área por conta dos projetos que participei e pelas pessoas que conheci. No SIPAM também fiz alguns cursos de ENVI, ERDAS, ArcGIS e outros.

Como nesse campo não dá pra ficar parado, fiz uma especialização em Geotecnologias e como o curso estava no auge a grade de professores era bem legal a infra estrutura era boa e tudo mais.

Quando entrei no INPE senti a necessidade de fazer mais um monte de cursos. Agora estou no Mestrado em ciências ambientais na UFPA e já percebo que assim que terminar vou ter que fazer mais um monte de cursos. A vida é assim!

3. Qual sua visão sobre o cenário atual das Geotecnologias no Brasil? Considera que há boas perspectivas para os profissionais?

O Brasil é um país muito grande e com muita coisa a ser feita. As instituições governamentais estão vendo a importância de criar áreas voltadas para as Geotecnologias, justamente para tentar caminhar em direção ao ordenamento territorial, mesmo a gente sabendo que tem uns atropelos ai pelo meio, áreas como meio ambiente, planejamento e defesa tem tido avanços importantes na área.

O sistema produtivo de forma geral já percebeu que conhecer o seu ambiente de produção é fundamental e com isso os profissionais da área tem um vasto campo de atuação na agricultura, na pecuária, na mineração, no sistema energético, na infra estrutura e por ai vai! As ONGs são outro foco de atuação que tem crescido muito e tem aberto muitas vagas para a área.

4. E no Pará? Como você vê a área de Geotecnologias em seu estado?

O Pará é um Estado que desde sua formação tem muitos conflitos no campo, isso principalmente pelas invertidas políticas de integração da área em um cenário econômico. Bem, com essa confusão implantada e precisando ser resolvida nossa área tem dado uma pequena contribuição no que diz respeito às questões de CAR, LAR, Georreferenciamento de Imóvel rural e outras iniciativas de ordenamento, gestão e infraestrutura.

Entrevista: Luis Sadeck – Geotecnologias

Temos muitas instituições trabalhando sobre a região, como o ICMBIO, IBAMA, SIPAM, INPE, Imazon, IPAM e etc, além das consultorias que estão ai aos montes. Posso assim dizer que o Estado é bastante promissor na área e tem lugar ao sol pra todos por muito tempo.

5. O que você acha que seja fundamental para que um profissional consiga um bom espaço no mercado de trabalho em Geoinformação?

Acredito que o fundamental seja o conhecimento, tanto teórico quanto prático, isso a gente consegue com o tempo… Nesse tempo a gente faz muita amizade… E isso sempre é levado em conta para conseguir um bom espaço, mas não se engane! Ter conhecidos não é ter conhecimento.

É fundamental que o indivíduo tenha um bom relacionamento, pois você geralmente vai trabalhar em equipe e/ou coordenar uma equipe. É importantíssimo a fluência em pelo menos duas línguas que não sejam a sua nativa. As principais são Inglês, espanhol e francês. Perde-se ótimos cargos e salários pela falta da fluência.

Precisa estar aberto a novos software, metodologias, conhecimento de todas as formas. Fundamental ter publicações nacionais e internacionais em revistas de peso.

É imprescindível saber repassar o que aprendeu. É preciso ter paciência, humildade, saber ouvir, saber falar e outras coisas mais.

6. Com quais softwares para Geoprocessamento você tem trabalhado, desde o início de sua carreira até hoje (comerciais e livres)?

Essa pergunta é difícil! Quando comecei trabalhei muito com software CAD, depois passei para o ArcView, IDRISI, ERDAS, ENVI, PCI, eCognition, SPRING e ai vieram os livres GRASS, QGIS, gvSIG, ILWIS, RAT, SAGA e mais recentemente, coisa de uns 4 a 5 anos vieram os Terras, TerraView, TerraSGT, GeoDMA, TerraHIDRO, Interimage e o meu “xodó” TerraAmazon. E ainda o PostgreSQL/PostGIS.

Mas isso é muito dispensável, na verdade o que vale mesmo é você saber a teoria, a metodologia para se chegar à um resultado, sabendo isso todos os softwares se tornam uma repetição com diferença no lugar da ferramenta e quando você transpõe a interface gráfica ai é que a coisa fica boa mesmo… (risos).

7. Atualmente você trabalha no Inpe. Comente um pouco de como as Geotecnologias estão diretamente envolvidas com este trabalho.

Meu trabalho aqui no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais é muito dinâmico. Costumo dizer que jogo no meio de campo… Hoje sou o beta test do TerraAmazon e atuo junto com a FUNCATE para implementação do software, também faço parte da equipe de capacitação internacional do CRA e dou suporte aos diversos projetos que temos aqui como o TerraClass, DETEX, DETER, URBIS e muitos outros voltados para o monitoramento de florestas tropicais, além dos implementados em outros países (África, América Latina e Ásia).

8. O que você diria sobre as potencialidades do uso de softwares livres para Geoprocessamento?

O software livre cresceu muito e já é uma ferramenta estável para o desenvolvimento de qualquer trabalho na área… Acho que o mais importante dessa vertente é a possibilidade de conhecimento proporcionada pelas plataformas livres e sendo livre o limite é a sua imaginação.

9. Seu blog é um dos mais bem conceituados do Brasil. Poderia nos contar um pouco sobre a história dele? (como começou, motivação, futuro, etc.)

Sadeck Geotecnologias

A primeira versão do Sadeck – Geotecnologias durou uns 4 meses e ai eu fuçando destruí alguma coisa que ele não servia mais, então criei outro igual e parei mais de fuçar (risos). Ele foi criado por conta do medo que o povo tinha de repassar conhecimento, aqui em Belém conhecidos como “pano preto”. A motivação foi dada pelos acessos e duvidas que começaram a chegar aos montes e percebi que era uma boa fonte de estudo porque precisava responder as duvida e logo se tornou uma forma de me forçar a escrever, uma forma de treino para as submissões para congressos e revistas.

Então… O Futuro do blog está meio incerto, pois estou na correria do mestrado, mas acredito que ele continuará ai, de forma mais lenta, pelo menos por enquanto, sendo alimentado com novidades sempre que der. Não tenho vontade de monetizá-lo para que não perca sua função, mas tenho vontade de fazer parcerias, desde que elas também não prejudiquem o repasse de conhecimento.

10. Você gostaria de fazer algum comentário adicional sobre o tema de nossa entrevista?

Gostaria de agradecer muito a oportunidade de poder trocar experiências aqui no blog do Anderson, que é o maior blog de geotecnologias do Brasil hoje, com vocês, leitores, e dizer que estamos à disposição para trocar ideias, conversar e se ajudar, seja pelo blog, Facebook, Twitter, Linkedin e outras redes. As vezes posso demorar pra responder, mas eu sempre respondo (risos).

Procure seu lugar ao sol com paciência, humildade e sempre estudando muito, que ele virá. Nada é fácil, mas é recompensador e vale a pena! Obrigado!

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Queremos agradecer ao Sadeck por nos conceder esta entrevista que certamente agregou valor ao conteúdo de nosso site, em especial nesta série de entrevistas.

O que vocês acharam desta postagem? Já conheciam o trabalho desenvolvido por esta relevante profissional da área de Geotecnologias? Deixem seus comentários.

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4 Comments on “Entrevista: Luis Sadeck – Geotecnologias”

  1. Mais uma ótima entrevista do site, Anderson ! Parabéns de novo !
    O Sadeck sempre foi uma referência, com seu blog, em recursos sobre softwares SIG e, de uns tempos para cá começou a se tornar referência também sobre conceitos inovadores em Geotecnologias, como Geojornalismo, cibercartografia, Big Data e tantos outros.
    Como o Antonio Machado disse na entrevista dele, os nichos de excelência em geotecnologias hoje estão mais espalhados e são em maior número, e o Sadeck está aí para provar isso. Um nicho de excelência no Pará !
    Muito boa a entrevista !

    1. Agradeço pelo comentário Volpi.
      O Sadeck realmente é uma grande referência nacional em nossa área. Há muito tempo estava querendo publicar uma entrevista com ele. Não é Luis? rsrs
      Abraço!

      1. Sim Anderson… Mil desculpas pela demora, mas é que o tempo tá curto, to precisando de um dia Unibanco, com 30 horas rsrsrsr
        Te agradeço muito pela paciência e gostaria de dizer obrigado pela oportunidade de conversar aqui com vocês sobre temas tão relevantes para a comunidade de geotecnologias…
        Fico à disposição para outras ações aqui do teu blog, que pra mim já é o maior blog brasileiro sobre nossa área.
        Parabéns pela iniciativa e que esse blog cresça cada dia mais.
        Um forte abraço.

    2. Muito obrigado Volpi pelas considerações,
      Quero dizer que você muito me inspira e me motiva a buscar sempre mais conhecimento… Sou muito grato pelas nossas conversas e pela sua orientação instigante que me faz ir atrás de referências, pessoas, artigos e tudo mais. Sendo assim, concluo que ninguém é uma ilha… O conhecimento deve ser construído a todo momento e as discussões são o caminho para o desenvolvimento desse processo.
      muito obrigado!!!

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