Entrevista: Luiz Andrade – Exército (DSG)

Entrevista: Luiz Andrade – Exército/DSG

Leia agora a vigésima quarta entrevista da série onde estamos conversando com profissionais da área de Geoprocessamento que atuam em diferentes regiões do Brasil e do mundo! Eles estão relatando um pouco sobre sua própria história no mercado, comentando sua visão sobre o cenário das Geotecnologias onde vivem, e algo mais. O entrevistado da vez é Luiz Andrade, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do plugin DSG Tools, para QGIS.

Entrevista com Luiz Andrade da Diretoria de Serviço Geográfico (DSG)Luiz Claudio Oliveira de Andrade é natural de Belém/PA e atualmente mora em Brasília/DF. Graduado em Engenharia Cartográfica pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) em 2005. Possui Pós-graduação em Engenharia de Sistemas e Pós-graduação em Geoinformática pela Universidade de Twente feita no ITC. Trabalho com desenvolvimento de plugins Python para o QGIS no Exército Brasileiro, mais especificamente na Diretoria de Serviço Geográfico (DSG). Também atua lecionando nos Cursos de SIG e nos Estágios de SIG e Sensoriamento Remoto promovidos pelo Centro de Imagens e Informações Geográficas do Exército (CIGEx) em Brasília.

1. Há quanto tempo você trabalha com Geotecnologias e como foi seu primeiro contato com esta área tão empolgante?

Trabalho com Geotecnologias desde 2006, logo após minha formação como Engenheiro Cartógrafo pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) em 2005.

Meu primeiro contato com a área foi como chefe da seção de validação topológica da 1ª Divisão de Levantamento em Porto Alegre/RS. Desde aquele momento resolvi me especializar na área de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), área em que permaneço até hoje.

2. Você fez algum curso na área de Geoprocessamento? (Pode também citar onde, e se possível algumas características do curso)

Entrei no Instituto Militar de Engenharia em 2001, me formei em 2005 como Engenheiro Cartógrafo. Fiz Pós-graduação em Engenharia de Sistemas, me formando em 2011.

ClickGeo: Cursos de GeotecnologiasFiz também uma Pós-graduação em Geoinformática na Holanda pela Universidade de Twente  no ITC de 2013 a 2014. O Curso no ITC foi uma ótima surpresa, super estruturado e com professores famosos, principalmente na área de Fotogrametria.

3. Qual sua visão sobre o cenário atual das Geotecnologias no Brasil? Considera que há boas perspectivas para os profissionais?

O Brasil ainda não possui uma grande cultura cartográfica, mas graças a popularização de serviços de mapas, como Google Maps e outros, estamos mudando esse cenário. Essa popularização está trazendo à tona necessidades antes não exploradas, e com isso uma nova gama de atividades está se tornando disponível aos profissionais da área de Geotecnologias.

Hoje em dia, como decorrência do aumento da nossa cultura cartográfica, temos iniciativas louváveis tanto de âmbito federal, quanto de âmbito estadual. Iniciativas que foram responsáveis por projetos de mapeamento, padronizações de dados, como a Estrutura de Dados Geoespaciais Vetoriais Espaciais (EDGV) criada pela CONCAR e diversas ferramentas de disseminação de dados geoespaciais como o Banco de Dados Geográfico do Exército (BDGEx). Desta forma considero que há boas perspectivas para os profissionais da área.

4. E no Distrito Federal (DF)? Como você vê a área de Geotecnologias em seu estado?

O DF tem boas iniciativas na área de Geotecnologias. O Exército Brasileiro, por meio da Diretoria de Serviço Geográfico (DSG), desenvolve o Banco de Dados Geográfico do Exército (BDGEx) em Brasília. O BDGEx é o sistema de disseminação de geoespaciais do Exército Brasileiro.

A DSG também tem trabalhado com o QGIS fornecendo plugins com uma vasta gama de ferramentas que trabalham com a EDGV versão 2.1.3, última versão homologada pela CONCAR. Com isso a DSG tem se tornado um pólo difusor de conhecimentos e ferramental tanto para o Exército com para a sociedade como um todo.

No âmbito civil também vemos outras iniciativas de mapeamento e de fornecimento de dados geoespaciais. Resumindo, hoje em dia, felizmente, temos muito trabalho a fazer no campo das Geotecnologias.

5. O que você acha que seja fundamental para que um profissional consiga um bom espaço no mercado de trabalho em Geoinformação?

Primeiramente uma forte formação de base. Profissionais com conhecimento de base deficitário não conseguem evoluir na carreira. Com um bom conhecimento de base, creio que seja essencial a especialização em uma determinada área no campo da Geoinformação, como SIG, Fotogrametria, Sensoriamento Remoto entre outras.

Complementando, creio que seja essencial para o profissional ter conhecimento de uma linguagem de programação pois, desta forma, ele poderá resolver problemas específicos em seu trabalho sem gerar maiores custos financeiros para sua instituição. Hoje em dia, com a grande difusão de ferramentas livres, é possível resolver uma infinidade de problemas com algumas linhas de código. Por isso, considero programar uma habilidade fundamental.

6. Com quais softwares para Geoprocessamento você já trabalhou desde o início de sua carreira até hoje (comerciais e livres)?

Sou um entusiasta dos Softwares Livres, sendo assim só trabalho com eles. Durante minha Pós-graduação na Holanda usei o ArcGIS em alguns trabalhos, mas somente lá, aqui no Brasil trabalho exclusivamente com o QGIS, mais especificamente, desenvolvendo plugins para a DSG.

Sendo assim, sou usuário da GDAL/OGR, SpatiaLite, PostGIS, GRASS, ORFEO, SAGA e, como não poderia deixar de citar, sou desenvolvedor Python.

7. O que você diria sobre as potencialidades do uso de softwares livres para Geoprocessamento?

Posso resumir a resposta em poucas palavras: Os Software Livres de Geoprocessamento atuais resolvem todos os problemas de sua instituição, use e abuse deles sem moderação!

Digo mais, o uso deles gera economia de recursos em sua instituição, economia essa que pode ser usada na capacitação e maior valorização dos recursos humanos. Nada mais propício tendo em vista os problemas econômicos atuais.

8. Você poderia nos falar um pouco sobre o projeto do plugin DSG Tools? Qual sua participação nele? Além disso, como o exército tem visto e empregado o uso de Geotecnologias em suas ações?

O plugin DSG Tools é desenvolvido por mim e pelo Philipe Borba com o apoio de diversas outras pessoas na DSG. Ele já está na versão 1.5 e nas duas primeiras semanas do lançamento chegamos a mais de 1.000 downloads, atualmente estamos chegando aos 6.000 downloads!

Diretoria de Serviço Geográfico (DSG)

O DSGTools tem sido importante por sua participação na democratização do uso da EDGV em âmbito nacional. Com o DSGTools é possível ter bancos de dados conforme previsto na EDGV 2.1.3 tanto em PostGIS quanto em SpatiaLite. Além disso ele possui diversas ferramentas de geoprocessamento que auxiliam na produção cartográfica da DSG.

Quanto ao uso de Geotecnologias posso dizer que o Exército Brasileiro tem evoluído muito nesse sentido. Hoje em dia, todas as atividades tanto de treinamento quanto reais são feitas com o apoio da Geoinformação. A DSG, como diretoria, é a responsável por prover o Exército com dados geoespaciais e com ferramentas para o tratamento delas. Nesse sentido, a DSG tem desenvolvido o Banco de Dados Geográfico do Exército para disseminação de dados e o DSG Tools para tratamento e manipulação de dados por meio do QGIS.

9. Gostaria de fazer algum comentário adicional sobre o tema de nossa entrevista?

Fico agradecido e lisonjeado pelo convite, porém, gostaria de ressaltar que nada em que trabalho seria possível se não fosse o trabalho em grupo com os militares da DSG. Cada um deles é muito profissional e capacitado. Isso por si só já torna o trabalho produtivo e prazeroso. Muito obrigado novamente e sucesso a todos.


Queremos agradecer ao Luiz Andrade por nos conceder esta entrevista que certamente agregou valor ao conteúdo de nosso site, em especial nesta série de entrevistas.

O que vocês acharam desta postagem? Já conheciam o trabalho desenvolvido por esta relevante profissional da área de Geotecnologias? Deixem seus comentários.

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1 comentário


  1. Saber que o EB está dedicado ao uso do QGIS nos seus trabalhos de mapeamento é algo muito relevante! E que tenhamos mais produtos fruto deste esforço.

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