Entrevista: Eduardo Freitas – GEOeduc

Entrevista: Eduardo Freitas - GEOeduc

Leia agora a vigésima quinta entrevista da série onde estamos conversando com profissionais da área de Geoprocessamento que atuam em diferentes regiões do Brasil e do mundo! Eles estão relatando um pouco sobre sua própria história no mercado, comentando sua visão sobre o cenário das Geotecnologias onde vivem, e algo mais. O entrevistado da vez é Eduardo Freitas Oliveira, personalidade amplamente conhecida no setor de Geoinformação pelo seu trabalho na MundoGEO e Instituto GEOeduc.

Entrevista: Eduardo Freitas – MundoGEOEduardo Freitas é coordenador de Cursos e Pesquisas de Mercado do Instituto GEOeduc. Engenheiro Cartógrafo (UFPR), cursando Especialização em Gestão Estratégica em EAD (Senac-SP), com mais de 20 anos de experiência nos setores de Obras Civis e Geotecnologia. Atuou de 2005 a 2014 como Editor da Revista/Portal MundoGEO (em português, espanhol e inglês), coordenador da Programação Técnica dos Eventos Presenciais e Online (Webinars em português, espanhol e inglês) do MundoGEO. Palestrante em Conferências Nacionais e Internacionais, com apresentações sobre Tendências no Setor de Geotecnologia, Qualificação/Atualização Profissional e temas afins.

→ OBS: Esta entrevista está também disponível em vídeo. Para assistir, veja o final desta matéria.

1 – Há quanto tempo você trabalha com Geotecnologias e como foi seu primeiro contato com esta área tão empolgante?

Primeiro, gostaria de agradecer a oportunidade que você está me dando de conceder esta entrevista e estar ao lado de tantas personalidades que já foram entrevistadas por você, várias dessas pessoas grandes amigos meus, então muito obrigado, Anderson, por isso.

Eu já trabalho diretamente com isto há uns 15 a 20 anos, mas meu primeiro contato foi quando eu era muito criança, ainda, lá pelos meus 7 ou 8 anos, com meu pai, que tinha um escritório de Agronomia e eu via aquelas imagens de sensoriamento remoto maravilhosas e ficava imaginando como elas tinha sido “tiradas”, e também ele trabalhava como Proagro, então a gente precisava fazer algumas medições em lavouras. Foi meu primeiro contato com a área de sensoriamento remoto e medidas de propriedades rurais.

2 – Você fez algum curso na área de Geoprocessamento?

Eu vim fazer o curso técnico em Edificações aqui em Curitiba, no Cefet, e nós tínhamos uma disciplina de Topografia, e eu gostava muito, porque tinha a parte teórica mas também tinha a parte prática, que era feita no parque Barigui, que é um cartão postal aqui de Curitiba.

Portal MundoGEO

Depois, fui fazer o vestibular e o meu foco ainda não era Geotecnologia. Eu fui prestar o vestibular para Engenharia Civil, não passei, mas havia algumas vagas sobrando em Engenharia Cartográfica. Eu nem conhecia direito o que era, mas decidi fazer um ano, aí depois eu decidiria se iria continuar ou tentaria trocar para Engenharia Civil. O primeiro ano foi difícil, com muito Cálculo e Geometria – como toda Engenharia – e aí decidi dar uma chance para a Cartográfica e fazer o segundo ano. E quando eu fui para o segundo ano eu tive um professor – que foi o Carlos Nadal, da disciplina de Astronomia de Posição – que me abriu os olhos para várias áreas da Engenharia Cartográfica, e também teve uma pessoa que me fez abrir a cabeça, o Flavio Yuaça.

Quando eu participei do evento GIS Brasil, eu vi uma palestra dele sobre como tinham implantado o GIS na prefeitura de Goiânia, e foi sensacional. Depois disso, eu me apaixonei pelo setor, nunca saí, e agradeço a estas duas pessoas que mudaram a minha vida. Depois da faculdade eu comecei o mestrado em Ciência da Informação Geográfica na Universidade Nova de Lisboa, e aí achei que seria tranquilo, por ser educação a distância, mas o curso era super puxado, não consegui acompanhar o ritmo e compatibilizar com meu trabalho – até por desorganização minha mesmo – e agora tenho que voltar para terminar o mestrado. E hoje em dia estou cursando especialização em Gestão Estratégica de EAD no Senac de São Paulo, até pelo meu trabalho no Instituto GEOeduc, mas vamos voltar a este assunto depois.

3 – Qual sua visão sobre o cenário atual das Geotecnologias no Brasil? Considera que há boas perspectivas para os profissionais?

O cenário atual, político e econômico, no Brasil, não é bom, mas no nosso setor, devido à pujança do agronegócio, os drones que estão por aí, a integração do Business Intelligence com Geotecnologia, o Big Data Geoespacial… Tudo isso nos traz boas perspectivas, para o setor de Geo, então apesar de o cenário não ser tão bom, hoje, as perspectivas são boas.

4 – E no Paraná? Como você vê a área de Geotecnologias em seu estado?

No Paraná, nós temos um mercado forte devido a dois fatores: o curso de Engenharia Cartográfica e Agrimensura na Universidade Federal e várias empresas de aerolevantamentos que estão instaladas aqui em Curitiba. O mercado, como eu comentei, hoje em dia não é tão bom, mas as coisas tendem a melhorar.

5 – O que você acha que seja fundamental para que um profissional consiga um bom espaço no mercado de trabalho em Geoinformação?

Em relação ao que é fundamental para a pessoa crescer neste setor, aí eu quero citar três pilares que o professor Marcelo Peruzzo, da FGV, comenta: é preciso conhecimento, visibilidade e amor. Já vou explicar porque… Conhecimento, é porque você tem que entender do que você está falando, porque senão rapidamente as pessoas vão ver que você não conhece aquele setor ou que você não sabe direito do que está tratando. Então, conhecimento é fundamental.

Quanto à visibilidade, não adianta nada saber muito se você não sabe mostrar para as pessoas o que você sabe. Você tem que estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. E quanto ao amor, refere-se a você ser uma pessoa correta, uma pessoa honesta. Então, aliando estes três pilares – conhecimento, visibilidade e amor – é o que basta para você crescer na pirâmide do sucesso.

6 – Com quais softwares para Geoprocessamento você já trabalhou desde o início de sua carreira até hoje (comerciais e livres)?

Em relação a softwares que eu já utilizei, eu comecei no AutoCAD – no meu curso de Edificações -, trabalhei também no Microstation, da Bentley, AutoCAD Map, ArcGIS, QGIS, gvSIG, Spring… Na área de topografia, um pouco no TopoEVN… Enfim, também nos softwares de transformações de coordenadas.

7 – O que você diria sobre as potencialidades do uso de softwares livres para Geoprocessamento?

Em relação a software livre, eu sou um entusiasta, afinal também contribuo com alguns projetos. Sou revisor do software QGIS e também atuo no projeto gvSIG, na comissão avaliadora da jornada internacional, além disso faço também a tradução de alguns informativos, como o do GeoSUR, trabalhei durante alguns anos na tradução e revisão do informativo da GSDI, que é a Associação para a Infraestrutura Global de Dados Espaciais, e também faço a tradução do informativo do Consórcio Geoespacial Aberto para os países da Ibero-América.

Eu trabalho e atuo com softwares comerciais ou proprietários, mas os sofwares livres têm algumas vantagens em relação aos outros, principalmente para órgãos públicos, que não ficam tão “presos” a uma marca ou software.

8 – Você é amplamente conhecido na comunidade de Geotecnologias por conta de seu trabalho na MundoGEO e mais recentemente no Instituto GEOeduc. Pode nos falar um pouco como é seu trabalho no dia-a-dia?

Eu atuo, hoje, na MundoGEO e no GEOeduc. Na MundoGEO eu entrei como redator e passei a atuar como editor da revista e do portal MundoGEO, liderei a criação dos webinars – ou seminários online – e, desde 2009, já fizemos mais de 300 eventos do tipo. Também ajudei na organização do evento MundoGEO#Connect, durante alguns anos, esta que é a maior feira e conferência de Geotecnologia da América Latina, e também hoje em dia organizamos o DroneShow, a primeira conferência e feira de Drones da América do Sul.

Hoje em dia, eu atuo muito mais como um consultor da MundoGEO, em algumas ações de posicionamento estratégico, porque estou bem mais focado no GEOeduc, que é o Instituto de educação que foi fundado em 2014, pela MundoGEO, e oferece cursos na área de GIS, Sensoriamento Remoto, Topografia, Gestão de Empresas de Geotecnologia… Enfim, temos mais de 2.500 alunos que já se formaram conosco ou que estão estudando conosco. É só entrar em www.geoeduc.com para ver nosso trabalho.

Instituto GEOeduc

Além dos cursos, fazemos também pesquisas de mercado, então temos algumas pesquisas prontas e também fazemos pesquisas sob demanda. Nosso foco são os cursos online, mas eventualmente também fazemos cursos presenciais, in company, etc.

9 – Você gostaria de fazer algum comentário adicional sobre o tema de nossa entrevista?

Para concluir, o que eu deixo de recomendação é o seguinte: lembra daqueles três pilares: conhecimento, visibilidade e amor?

Primeiro, a dica é se capacitar, então se você quer atuar nesta área, não tem como trabalhar no setor de Geotecnologia sem conhecimento, então sugiro buscar cursos, webinars gratuitos, participar em feiras do setor, para ter o conhecimento.

Segundo, visibilidade, e aí eu volto a falar de participar de eventos, porque networking é fundamental, então é preciso estar próximo de pessoas que são influentes no mercado, ouvir o que as pessoas estão comentando e se mostrar – e as redes sociais estão aí pra você mostrar o seu trabalho através do LinkedIn, Facebook, Twitter, Snapchat, Periscope, o que você imaginar.

E, por fim, amor, sendo uma pessoa honesta, uma pessoa “do bem”. Unindo estes três pilares, você certamente terá sucesso no setor de Geotecnologia.

Mais uma vez, obrigado pela oportunidade. Espero ter contribuído e agradeço muito por eu poder estar junto a estas pessoas que eu admiro tanto e que já foram entrevistadas por você.

VÍDEO DA ENTREVISTA COM EDUARDO FREITAS – MUNDOGEO

O Eduardo fez a gentileza de gravar um vídeo com suas respostas para nossa entrevista. O conteúdo foi transcrito confirme acima.

Caso você não esteja visualizando este vídeo em nosso site poderá acessar diretamente no Youtube. Clique aqui para acessar.


Queremos agradecer ao Eduardo Fretas por nos conceder esta entrevista que certamente agregou valor ao conteúdo de nosso site, em especial nesta série de entrevistas.

O que vocês acharam desta postagem? Já conheciam o trabalho desenvolvido por esta relevante profissional da área de Geotecnologias? Deixem seus comentários.

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