Entrevista: Andrea Carneiro – UFPE

Entrevista UFPELeia agora a vigésima primeira entrevista da série onde estamos conversando com profissionais da área de Geoprocessamento que atuam em diferentes regiões do Brasil e do mundo! Eles estão relatando um pouco sobre sua própria história no mercado, comentando sua visão sobre o cenário das Geotecnologias onde vivem, e algo mais. A entrevistada da vez é Andrea Tenório, personalidade de destaque na área de Cartografia e Cadastro.

Andrea Flávia Tenório CarneiroAndrea Flávia Tenório Carneiro, é pernambucana  e mora em Recife/PE.  Graduada em Engenharia Cartográfica pela UFPE, Mestre em Ciências Geodésicas pela UFPR e Doutora em Engenharia de Produção na UFSC.  Atua como professora associada  no Departamento de Engenharia Cartográfica da UFPE, onde exerce atualmente a função de coordenadora do Programa de  Pós-graduação em Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação.  Dedica-se ao ensino e pesquisa na área de Cadastro Territorial, no âmbito do Laboratório de Cadastro e Gestão Territorial da UFPE,  tendo participado dos grupos de trabalho responsáveis pela elaboração da Lei 10.267 (georreferenciamento de imóveis rurais) e da Portaria 511, do Ministério das Cidades, que trata das diretrizes para a implementação de Cadastros Territoriais Multifinalitários nos municípios brasileiros. Tem diversas orientações concluídas, além de publicações diversas sobre temas relacionados à área.

1. Há quanto tempo você trabalha com Geotecnologias e como foi seu primeiro contato com esta área tão empolgante?

Meu primeiro contato com as geotecnologias foi nos primeiros semestres do curso de engenharia cartográfica na UFPE, no qual ingressei em 1984. Aprovada em segunda opção no vestibular, não tinha muita ideia do que se tratava, mas antes de tentar novamente o vestibular decidi conhecer a área, e me apaixonei.

2. Você fez algum curso específico na área de Geoprocessamento? (Pode também citar onde, e se possível algumas características do curso)

Durante a graduação em engenharia cartográfica dediquei-me à área de levantamentos topográficos de precisão, em projetos de iniciação científica e de extensão. Realizei o mestrado na UFPR nesta área e, para o doutorado na UFSC, escolhi a área de Cadastro Territorial,  à qual me dedico  desde 1997, quando iniciei o doutorado.

3. Qual sua opinião sobre o cenário atual das Geotecnologias no Brasil? Considera que há boas perspectivas para os profissionais?

Eu me graduei numa época terrível para as engenharias, o início dos anos 90. Ainda mais para uma especialidade quase desconhecida, como a cartografia. Naquela época eram raras as oportunidades, muitos profissionais mudaram de ramo por falta de trabalho. Atualmente, o cenário é bem diferente.

A disseminação e a democratização dos produtos cartográficos promovem a utilização massiva da informação geográfica, de forma que a tendência é o seu uso crescente. Atualmente, os mapas, nos mais variados formatos e plataformas,  fazem parte  da vida dos cidadãos,  e o Brasil precisa capacitar muito mais  profissionais nesta área para atender a toda essa demanda.

4. Seu nome é uma das maiores referências nacionais na área de Cadastro Imobiliário, Cartografia e Geodésia. Na sua visão, o que podemos esperar em termos de avanços para estas áreas nos próximos anos?

Eu agradeço a consideração. Felizmente temos no Brasil muitos profissionais competentes nesta área. Posso falar com mais segurança sobre os avanços na área de Cadastro, à qual me dedico mais ativamente.

Nos últimos anos, o Cadastro tem sido cada vez mais reconhecido como uma poderosa ferramenta de gestão. Com o advento dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG),  e sua capacidade de  integração e  compartilhamento de informações  de variadas origens e formatos, a capacidade multifinalitária  do Cadastro tem se difundido como necessária a uma gestão pública eficiente.  Esse reconhecimento provoca  uma busca por conhecimento,  a fim de vencer os desafios de se estruturar tais sistemas.

Cadastro Imobiliário e GIS

Para mim, esse é um caminho sem volta. O Brasil está atrasado em relação a muitos países, mas chegaremos lá, hoje temos excelentes sistemas cadastrais que podem servir de inspiração. E temos quase 6 mil municípios precisando de aperfeiçoamento dos seus sistemas, além de instituições das outras esferas da administração pública que lidam com informações territoriais.

5. O que você acha que seja fundamental para que um profissional consiga um bom espaço no mercado de trabalho no campo da Cartografia e Geoinformação?

É importante que o profissional tenha não só o domínio das ferramentas,  mas também uma boa formação teórica, que vai lhe permitir explorar com segurança  a tecnologia  disponível,  além de propor e desenvolver soluções. Além disso, é importante a capacidade de trabalho em equipes multidisciplinares.

6. Com quais softwares dos vários segmentos da Geomática você tem trabalhado, desde o início de sua carreira até hoje (comerciais e livres)?

Eu sou do tempo do Fortran, Basic, Pascal. Talvez a maioria nem conheça essas linguagens, mas nós tínhamos que desenvolver nossas próprias soluções, sem as facilidades do Windows.

Acredito que viver a transição para os processos automatizados contribuiu para o fortalecimento da formação dos profissionais da minha geração. Como eu comentei anteriormente, minha formação de graduação e mestrado foi na área  de levantamentos, então utilizei programas comerciais e científicos internacionais, depois os nacionais mais conhecidos.  Depois que passei a me dedicar à área de Cadastro, tenho incentivado mais o uso de programas livres como o QGIS (Quantum GIS) e o gvSIG, porque direciono minhas atividades principalmente para municípios com poucos recursos econômicos.

7. Atualmente você trabalha na UFPE, em cursos como Engenharia Cartográfica . Comente um pouco de como as Geotecnologias estão diretamente envolvidas com este trabalho e o curso.

Na formação do engenheiro cartógrafo,  as geotecnologias estão presentes desde os primeiros semestres do curso, em todas as áreas (Topografia, Geodésia, Cartografia, Sensoriamento Remoto, Fotogrametria, SIG, Cadastro).  Os docentes do curso,  principalmente os que atuam na Pós-graduação,  tem que estar constantemente atualizados quanto às tecnologias que surgem, para transmitir esse conhecimento aos alunos.

Tecnologias da Geoinformação

As universidades, de uma maneira geral, não conseguem adquirir tão rapidamente os mais novos equipamentos e programas do mercado, mas o mais importante é que os docentes possam mostrar aos alunos a relação entre a nova tecnologia e o conteúdo teórico,  que é a base de todo desenvolvimento. Com isso, eles não terão dificuldades em dominar qualquer sistema ao qual seja apresentado.

8. Você gostaria de fazer algum comentário adicional sobre o tema de nossa entrevista?

O Brasil precisa de profissionais na área de geotecnologias,  com níveis variados de conhecimento.  Desde o técnico até o pesquisador. Precisamos capacitar mais gente, e que estes estejam realmente preparados para fazer o seu trabalho com confiabilidade e responsabilidade.

Estamos à disposição nos cursos de engenharia cartográfica e no Programa de Pós-graduação em Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação da UFPE. Gostaríamos de ter muito mais alunos do que atualmente temos.  Agradeço ao Portal ClickGeo  pela oportunidade de expor essas ideias.

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Queremos agradecer à Andrea por nos conceder esta entrevista que certamente agregou valor ao conteúdo de nosso site, em especial nesta série de entrevistas.

O que vocês acharam desta postagem? Já conheciam o trabalho desenvolvido por esta relevante profissional da área de Geotecnologias? Deixem seus comentários.

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4 Comentários


  1. Grande Andrea… Além de excelente referência na área de cadastro é uma simpatia em pessoa!
    Mais uma vez, parabéns, Anderson!

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