Entrevista: Ana Paula Garcia – Pesquisadora da UnG

Entrevista: Ana Paula Garcia - Pesquisadora da UnG

Leia agora a vigésima sétima entrevista da série onde estamos conversando com profissionais da área de Geoprocessamento que atuam em diferentes regiões do Brasil e do mundo! Eles estão relatando um pouco sobre sua própria história no mercado, comentando sua visão sobre o cenário das Geotecnologias onde vivem, e algo mais. A entrevistada da vez é Ana Paula Garcia, que é uma atuante pesquisadora na Universidade Guarulhos na área de Geociências.

Ana Paula Garcia - Pesquisadora da UnGSou Ana Paula Garcia, tenho 36 anos, Bióloga com especialização em Geografia em Meio Ambiente, tenho Mestrado e Doutorado em Tecnologias Ambientais com ênfase em Geoprocessamento. Trabalhei na Globalweb Outsoursing como Analista de Geoprocessamento, empresa terceirizada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Atualmente sou Pesquisadora de Pós Doc na Universidade Guarulhos – UnG na área de Geociências no Programa de Mestrado de Análise Geoambiental como Bolsista PNPD CAPES.

1. Há quanto tempo você trabalha com Geotecnologias e como foi seu primeiro contato com esta área tão empolgante?

Meu primeiro contato com Geoprocessamento foi em meados de 2009, quando conheci o Prof. Dr. Antonio Conceição Paranhos Filho da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, o qual me ensinou e acompanhou em toda minha jornada acadêmica. Desde então venho trabalhando na área, pode-se dizer há 6 anos.

2. Você fez algum curso na área de Geoprocessamento? (Pode também citar onde, e se possível algumas características do curso)

O curso que fiz foi o Mestrado e Doutorado na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul- UFMS, onde atuei como pesquisadora, desenvolvi os meus projetos de pesquisas e participei de alguns outros no laboratório de Geoprocessamento para Aplicações Ambientais da Universidade.

3. Qual sua visão sobre o cenário atual das Geotecnologias no Brasil? Considera que há boas perspectivas para os profissionais?

Vejo que o mercado das Geotecnologia como um mercado próspero que abrange várias áreas, embora no Brasil ainda seja pouco aplicável em diversos segmentos, creio que há uma tendência de crescimento por ser uma tecnologia de análise espacial, que facilita planejamento estratégico e modelos de gestão tanto no setor público como privado. Por isso, confio que com o crescimento de mercado haverá novas demandas de profissionais na área.

Hoje o mercado exige profissionais altamente qualificados, para salários baixíssimos, talvez isso se relacione a realidade econômica que o nosso país se encontre, pois não é o cenário apenas dos profissionais dessa área. Espero que isso mude e o mercado se propague, prospere, além de valorizar mais o profissional da área de geotecnologia.

4. Como você vê a área de Geotecnologias no seu Estado?

Em São Paulo, percebo que a área de TI possui mais disponibilidade de vagas, o profissional tem que estar mais familiarizado com linguagem de programação e banco de dados geográficos para se encaixar nesse ramo.

A área ambiental, é um mercado mais restrito, com poucas vagas, vejo poucas oportunidades em empresas para essa área.

5. Qual a dificuldade de uma pessoa que passa anos fora do mercado se dedicando a pós-graduação de voltar ao mercado?

Na verdade, o que muitas empresas não compreendem é que um profissional com mestrado e doutorado além de altamente qualificado, se no seu histórico foi um bolsista CNPQ ou CAPES, ele trabalhou de 20 a 40hrs em um laboratório com dedicação exclusiva em diversos projetos.

Isso o capacita como experiência profissional, mas muitas vezes não têm valor de mercado, pois muitas empresas acreditam que isso faça parte da pós-graduação. No entanto; Acredite!!! Nós trabalhamos e muito.

Essa desvalorização do profissional acadêmico dificulta muitas vezes sua entrada no mercado, quando a universidade já trabalha em parceria com empresas o caminho fica mais fácil, ainda assim, em alguns casos o cenário é diferente e a pessoa tem dificuldade de encontrar sua primeira oportunidade.

6. O que você acha que seja fundamental para que um profissional consiga um bom espaço no mercado de trabalho em Geoinformação?

Estar atualizado, e praticar as diferentes técnicas, pois o mundo das geotecnologias é amplo, por isso é preciso muito estudo para testar as diversas aplicações, ferramentas, software e análises.

Como toda tecnologia todos os dias temos novidades no mundo, é importante que sigamos essa evolução, pois somos responsáveis por apresentar essas aplicações para nosso país. Conduzir em forma de informação ou ciência, até que o mercado incorpore e popularize essas técnicas de uma maneira mais formal ou popular.

Ou seja, creio que quem mostrará as novas técnicas para a empresa será o próprio profissional com novas ideias e de forma proativa, pois geralmente essa é a característica de quem trabalha com geotecnologia, a curiosidade tem que fazer parte do seu dia a dia.

7. Comente um pouco de como as Geotecnologias estão diretamente envolvidas com seu trabalho atual.

Eu trabalho diretamente com Geotecnologia, atualmente estou focada na área de Sensoriamento Remoto, como pesquisadora pós doutorado desenvolvo uma pesquisa voltada para uso de software livre e imagens gratuitas como monitoramento na qualidade de água dos reservatórios de São Paulo.

Procuro os melhores índices que possam garantir esse monitoramento, de forma ágil e que acrescentem aos monitoramentos físico químicos de qualidade da água que já são realizados.

8. Com quais softwares para Geoprocessamento você tem trabalhado, desde o início de sua carreira até hoje (comerciais e livres)?

Já trabalhei com diversos softwares, dependendo da área de atuação do projeto ArcGis Desktop, ArcGis Server, Geokettle, ERDAS, QGIS, GlobalMappper, GVSig, Spring, GRASS, PCI Geomatic e eCognition Definiens.

Embora tenha um conhecimento avançado na plataforma ArcGIS, hoje tenho trabalhado muito com QGIS pois é o foco da minha pesquisa.

9. O que você diria sobre as potencialidades do uso de softwares livres para Geoprocessamento?

Acredito que seja o futuro, na universidade os alunos são capacitados com softwares livres pois podem atuar no mercado sem problemas de licenças. Acredito que hoje, os software livres, não deixam nada a desejar em comparação com um software comercial, tem todas ferramentas capazes de realizar as técnicas necessárias para qualquer profissional atuar no mercado.

Por isso, acredito que como modelo de gestão, é uma questão de tempo até que se adote o software livre seja, como é o caso de outros tipos de plataformas livres que já estão em uso no mercado.

10. Você gostaria de fazer algum comentário adicional sobre o tema de nossa entrevista?

Gostaria de divulgar a Revista de Geociências da UnG onde são publicadas diversas pesquisas realizadas aqui na UnG e em outros lugares no País, a qual desfruta de muitos trabalhos importantes elaborados com geotecnologias empregando diferentes técnicas, com distintos pesquisadores.

Revista de Geociências da UnG

E pra quem tiver interesse no curso de Mestrado de Análise GeoAmbiental da Universidade Guarulhos -UnG deixo aqui o link (no nome do mestrado).

E pra quem tiver interesse em contato profissional ou saber mais sobre minha pesquisa meu email é: ap.go.1980@gmail.com e meu Linkedin.


Queremos agradecer a Ana Paula por nos conceder esta entrevista que certamente agregou valor ao conteúdo de nosso site, em especial nesta série de entrevistas.

O que vocês acharam desta postagem? Já conheciam o trabalho desenvolvido por esta relevante profissional da área de Geotecnologias? Deixem seus comentários.

4 Comentários


  1. Artigo muito interessante. Serve para nos dar uma visão geral de como andam o mercado e os avanços na área de GeoProcessamento. Gostei muito.

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      1. Obrigada Anderson pela oportunidade de mostrar meu trabalho.

        Responder

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