Comentários sobre Comparativo entre QGIS e ArcGIS

QGIS ou ArcGISEm dezembro de 2012 publicamos uma entrada aqui em nosso site onde são listados alguns aspectos comparativos entre as características do software proprietário ArcGIS e o programa open source Quantum GIS. Um de nossos leitores expressou o desejo de complementar s observações postadas e nos enviou por e-mail alguns comentários extremamente pertinentes e que iremos publicar agora para contemplação de toda a comunidade. Aguardamos desde já por seus comentários.

Antes de ler os pontos levantados a seguir, recomendamos que leia na íntegra a matéria na qual esta postagem está baseando suas observações, bem como veja a versão original, em inglês, no site GIS Lounge:

Este é um Guest Post elaborado por José Pedro Santos, licenciado em Geografia, variante Cartografia e Sistemas de Informação Geográfica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Pós – Graduação em Sistemas de Informação Geográfica e Modelação Territorial aplicado ao Ordenamento do Território pelo IGOT. Atualmente a trabalhar como Trainee na Agência Espacial Europeia/ESRIN na área WEBGIS e Deteção Remota com FOSSGIS.

Não considero os comentários a seguir como sendo uma crítica ou um ponto de vista muito diferente do que foi publicado no post mencionado acima, mas sim apenas um complemento ao que foi dito em alguns casos.

Ponto 3 – PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO

O projeto inicial do QGIS foi desenvolvido por voluntários mas atualmente existem várias empresas que financiam esses mesmos voluntários e elas próprias desenvolvem e corrigem bugs do software. Basta ver que em cada versão do QGIS existem companhias como por exemplo a NextGIS ou a Faunália que corrigem bugs e desenvolvem plugins. Existe um caso de um instituto que desenvolveu o plugin GisedTrend, (a plugin of the QGIS geographical information system that implements the Grain Sized Trend Analysis (GSTA) method) mas que nunca o chegou a colocar disponível para os utilizadores do QGIS (pelo menos nunca o encontrei no entanto vou enviar email para os produtores do mesmo). Também é possível uma empresa “contratar” um developper do QGIS para efetuar correções no Quantum GIS.

Ou seja, o QGIS com todas as questões das doações e participação das empresas perdeu um pouco o carisma que tinha de início, no entanto sou a favor desta solução porque permite uma melhoria constante do software.

Em relação ao ArcGIS ele de fato é mantido pelos developpers da ESRI mas mesmo assim existem muitos scripts (ArcScripts) desenvolvidos por voluntários que podem ser adicionados ao software. A equipa que desenvolveu o Taudem tem uma toolbox disponível para o ArcGIS a única diferença é que estas aplicações não vêm instaladas por defeito devido ao licenciamento.

Ponto 4 – PLATAFORMA

Neste aspeto o QGIS está a anos-luz do ArcGIS. Funciona perfeitamente em Windows e Linux no caso de Mac nunca experimentei mas colegas que já usaram dizem que funciona bem. O caso do ArcGIS já não é assim tão linear. Linux e Mac nunca experimentei mas tenho muitas dúvidas que funcione em sistemas baseados em Unix. Mesmo com alguns formas diferentes de instalação nunca será igual ao ambiente original para que foi desenvolvido.

Ponto 7 – SUPORTE

Este ponto é delicado. Digo isto porque o ArcGIS tem de fato o suporte pago (muito bem pago alias) mas também tem uma comunidade muito ativa em que se pode colocar perguntas e obter respostas e concelhos sem ser necessário pagar por isso.

Basicamente o modelo de negócios do ArcGIS caminha para uma versão Enterprise (ArcMap) em que existe o suporte pago 24/7 e equipes especializadas na correção de bugs e uma versão community (ArcExplore) em que existe uma comunidade, wiki pages, etc.. para a correção de bugs e ajuda. Este modelo ainda não está implementado mas caminha para lá.

No caso do Quantum GIS o suporte ao nível da comunidade é muito avançado mas existe a possibilidade (no site do QGIS tem isso explicado) de contratar suporte técnico especializado de empresas que trabalham com o software. Neste ponto considero os dois softwares muito perto um do outro.

Ponto 8 – ADOÇÃO

Atualmente a ESRI monopoliza o mercado a todos os níveis. Falo de instituições nacionais (no caso de Portugal) e internacionais (mundo). As Universidades em Portugal e na Europa (conheço vários casos de países) que só utilizam o ArcGIS. Existem algumas disciplinas nas Universidades e algumas instituições que estão a usar QGIS mas ainda não existe uma cota definida ou um estudo, como existe em relação aos sistemas Operativos, que demonstre a real percentagem de utilização. Portanto este tópico requer muita análise e reflexão.

O que vocês acharam destes comentários? Concordam? Discordam? Gostariam de complementar o que foi dito? Comente e deixe sua opinião.

Assine nosso FeedAssine nosso Feed e receba nossas atualizações por e-mail. Curta nossa página no Facebook [PortalClickGeo] e siga nosso Twitter [@ClickGeo] para continuar atualizado sobre o Mundo das Geotecnologias.

3 Comentários


  1. Gostei muito do que nos trouxe o nosso “patrício”. Quanto à adoção, aqui no Brasil temos uma faca de dois gumes. Por um lado, há a proposta do governo federal em utilizarmos SL, o que é salutar, mas faz com que as IFES não adquiram as licenças do ArcGIS. A utilização do QGIS (ou gvSIG) acaba sendo inevitável (e muito interessante sob o ponto de vista didático). Por outro lado, o mercado ainda “filtra” o profissional com “selo” ESRI.
    Penso que a adoção, aqui, não é de livre e espontânea vontade, mas acaba sendo uma imposição de condições externas à escolha do professor/instituição.
    O bom disso é que o QGIS passa a ter mais adeptos, o que faz com que o mercado absorva a tendência desse FOSS, mas o profissional recém formado pode não ter contato com o ArcGIS e, convenhamos, nem todos são autodidatas…

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *